
Uma leitura prática sobre o papel dos bancos, o aprendizado do primeiro acesso e a evolução das PMEs no mercado.
Por Caio Viggiano, diretor de renda fixa do Itaú BBA
O acesso de PMEs ao mercado de capitais envolve investidores que buscam diversificação, empresas que querem funding e bancos, que fazem a ponte entre esses dois mundos.
Ao longo desse caminho, é evidente que acessar o mercado não é um evento isolado, mas uma jornada de amadurecimento.
O papel dos bancos no Regime FÁCIL
Com o Regime FÁCIL previsto para entrar em vigor em março, os bancos seguem exercendo um papel central no acesso das PMEs ao mercado.
Eles desempenham duas funções: a primeira ligada à estruturação da oferta e ao entendimento da demanda do emissor.
A outra missão dos bancos é de ordem prática: eles encabeçam a captação de recursos. No caso das pequenas e médias empresas que entram no mercado pela primeira vez, é muito comum que o próprio banco seja o investidor da operação. E, em um segundo momento, com a operação mais madura, é provável que uma nova emissão seja feita de forma pulverizada.
Nesse arranjo, os bancos ainda detêm uma parte relevante e fundamental do processo, oferecendo a oportunidade para que as empresas possam evoluir em sua jornada de boas práticas de governança.
Onde as PMEs ganham ao acessar o mercado de capitais
Para as PMEs, o acesso ao mercado de capitais traz benefícios claros, acompanhados de um aumento natural de responsabilidades.
Ao emitir uma dívida, por exemplo, a empresa passa a lidar com agentes fiduciários, regras objetivas e investidores que exigem transparência. Se não estiver preparada, a empresa pode enfrentar penalidades e esse processo se tornar uma experiência negativa.
Por isso, o investidor certo, no momento certo, faz toda a diferença.
Agora, quando o processo é bem feito, cria-se um ciclo virtuoso.. A empresa evolui em governança, controles, comunicação e transparência.
Com o tempo, a companhia amplia sua base de investidores, melhora prazos, condições de captação e ainda reduz os custos de captação.
Um mercado ainda em desenvolvimento
O mercado de capitais voltado às pequenas e médias empresas ainda está em fase de desenvolvimento. Questões como juros elevados, níveis mais baixos de liquidez e assimetrias de informação fazem parte desse estágio e tendem a ser endereçadas à medida que o mercado amadurece.
Esse avanço passa por mais transparência, melhor seleção de emissores e pela oferta de instrumentos financeiros compatíveis com o estágio de cada empresa.
O Regime FÁCIL não pretende resolver todos esses pontos de forma imediata, mas viabiliza o primeiro acesso. E, em muitos casos, é justamente esse primeiro passo que acelera o desenvolvimento da empresa e do próprio mercado.
A jornada das empresas que querem se listar
Acessar o mercado de capitais não é um salto único, mas uma sequência de passos bem estruturados. O Regime FÁCIL destrava o primeiro — e esse primeiro passo costuma ser o mais transformador.
Para isso, tudo começa com um pacote de atitudes que, em muitos casos, só precisam ser melhor organizadas e que passam por:
- Definir o objetivo da captação;
- Ter rotinas de transparência;
- Tratar o primeiro acesso como aprendizado;
- Evoluir gradualmente.
Não há soluções mágicas. Mas, se você estiver bem preparado, com um planejamento estruturado, essa trajetória pode se dar de uma forma mais simples e menos traumática. E essa é uma das funções do Regime FÁCIL. Só cabe a você estar ajustado ao novo cenário.
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