
O que a experiência empreendedora revela sobre crescer com estrutura e poder de decisão
Por Rogério Salume
O acesso das PMEs ao mercado de capitais tem o poder de mudar a história dos empreendedores. Não apenas pela entrada de investidores na empresa, mas pelo salto de governança, de visão e de maturidade que esse movimento provoca.
A jornada até o capital
Comecei minha jornada empreendedora em 2003, quando fundei a Estação do Vinho, o primeiro e-commerce de vinhos do Brasil. Naquele momento, vender vinho pela internet parecia coisa de maluco, com poucas referências e pouca gente disposta a apostar em empreendedores que estavam inventando um mercado.
Venho de uma família de classe média e, ao decidir empreender, fui na raça. Usei cheque especial, assumi dívidas e segui sem mentores. O primeiro capital que consegui veio de clientes que acreditaram na ideia e decidiram investir. Assim nasceu um negócio do zero, que chegou a faturar R$ 16 milhões por ano.
Crescimento sem estrutura tem limite
Mais adiante, decidi criar algo maior, a Wine. Nesse processo, cheguei a ter quase 30 sócios pessoa física.
Ainda assim, nossa estrutura não era equivalente à de uma empresa de capital aberto, que tem processos definidos.
Foi nesse momento que comecei a entender, na prática, a importância da transparência, do controle e de uma gestão profissional.
As mudanças para acessar o mercado de acesso
Em 2010, mesmo com a empresa ainda pequena, decidi prepará-la para o IPO. No fim das contas, o IPO nunca aconteceu, mas a empresa se transformou profundamente.
Ir para o mercado de capitais muda tudo. Muda o relacionamento da empresa com investidores, impõe processos, controles e disciplina.
Mas, ao contrário do que muitos pensam, isso não engessa o negócio. A organização libera o empreendedor para focar no que realmente importa, porque a empresa passa a estar sob controle.
Por onde começar antes de acessar o mercado de capitais?
O maior aprendizado que tive é simples: nunca se sente à mesa com fome. Negociar quando se está pressionado é a pior posição possível. Ter governança e planejamento permitem antecipar movimentos, negociar com tranquilidade e construir relações saudáveis com investidores.
Se eu tivesse que dar uma dica para quem está pensando em acessar o mercado, seria essa: primeiro, resolva gargalos, fortaleça a equipe, organize a casa. Isso gera valor. Depois, pense em acessar o mercado. E esse primeiro acesso ao dinheiro é o que muda o jogo.
O que essa trajetória deixa evidente
Em resumo, quando olho para trás e avalio tudo o que vi e vivi, vejo que há pelo menos 4 pontos que os empreendedores devem observar se quiserem ter sucesso no mercado de acesso. Pense neles antes de dar o primeiro passo:
- Crescimento sem estrutura reduz o poder de decisão.
- Pressa por capital enfraquece as negociações.
- Governança vem antes do dinheiro.
- Organização amplia escolhas.
No mais, boa sorte, e vamos com tudo rumo ao mercado de acesso!
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